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Chamado "Homem da Paz e da Caridade", foi o primeiro beato a nascer no Brasil! Fundou o Mosteiro da Luz e tornou-se conhecido também por seus milagres e suas famosas pílulas!...


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31/03/2004 - 02:13 - Biografias e história do Martírio

*São Roque Gonzales e companheiros (inicial)
*Saiba porque eles são Verdadeiros santos do Brasil
*Veja onde obter mais informações: Bibliografia, informações e links.
*Conheça também Cacique Adauto
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São Roque Gonzales (Nascido em 1576), Santo Afonso Rodrigues (Nascido em 10/março/1598) e São João de Castilho (Nascido em 14/setembro/1595)

Martirizados em 15 e 17 de novembro de 1628

Os Santos Missionários e Mártires das Missões Roque Gonzales e seus Companheiros foram os primeiros evangelizadores nas terras do Sul do Brasil. Membros da Ordem dos Jesuítas, eles exerceram o seu trabalho missionário junto aos índios Guaranis, na atual Região Missioneira, no Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.

São Roque Gonzales

Nasceu em 1576, na cidade de "Nossa Senhora da Assunção", hoje a capital do Paraguai. Seus pais, Bartolomeu Gonzales de Valverde e Maria de Santa Cruz, eram de elevada classe social, e deram sólida formação cristã aos dez filhos, dois dos quais se tornaram sacerdotes.
Desde os mais tenros anos criou-se e conviveu com os índios guaranis, falando sua língua perfeitamente e conhecendo suas tradições. Indignava-se profundamente com o modo como eram tratados pelos colonizadores, reduzidos a escravidão em suas próprias terras. Brutalmente explorados, muitos morriam de fome.
Em 1588 os Jesuítas chegaram em Assunção e Roque passou a freqüentar seu colégio, completando seus estudos, inclusive Teologia.
Em 1598 foi ordenado sacerdote, aos 22 anos, seguramente um dos primeiros nativos do Paraguai. Assumiu por dois anos a missão junto aos índios da região de Maracaju, que lhe ficaram profundamente afeiçoados. Foi nomeado cura da Catedral de Assunção, o que aceitou por obediência, embora ainda sonhasse em trabalhar para sempre entre seus amados índios. Em 1609 foi nomeado Vigário Geral da Diocese, mas nosso santo ingressou na Companhia de Jesus: foi admitido no noviciado em maio de 1609, e dois anos depois fez sua primeira profissão religiosa.

As reduções

Pe. Roque e outro jesuíta, Pe. Vicente Griffi, foram enviados à dificílima missão de pacificar os índios Guaicurus. Eles conseguiram até mesmo fundar ali uma redução, enquanto muitos até temiam que eles não retornassem com vida.
Enviado depois à redução de Santo Inácio Guaçu, conseguiu superar muitas dificuldades e, graças ao seu tino eminentemente prático, fez com que ela se tornasse um verdadeiro modelo para todas as futuras reduções. Preciosa ajuda os jesuítas receberam do franciscano Pe. Frei Luís Bolaños, que lhes transmitiu sua grande experiência no assunto. As reduções (para os portugueses eqüivaleriam às Aldeias, ou aldeiamentos), foram criadas para levar os índios nômades a uma vida estável e habituá-los ao trabalho regular através da agricultura, do cultivo das artes e ofícios, e evangelizá-los pela catequese e pregação. Pela sua índole comunitária, muitos sociólogos do século XIX consideraram as reduções a realização utópica da sociedade justa, fraterna e solidária.
A atividade de supervisão era extenuante: Pe. Roque era arquiteto, pedreiro, marceneiro, administrador, agrônomo...Participava de todo tipo de trabalho. Jovens jesuítas eram para lá enviados a fim de aprenderem nessa escola prática. Não obstante, isso não impedia que Pe. Roque fosse fiel à oração e às demais atividades religiosas.
A partir de 1615 começou a fundar novas reduções e em 1619 fundou a primeira delas junto ao Rio Uruguai. Antes de prosseguir nesse relato, vamos conhecer nossos outros dois santos, Afonso e João, que um dia se unirão a Roque no martírio.

Santo Afonso Rodrigues

Nasceu aos 10 de março de 1598, em Zamora, Espanha. Seus pais eram Gonzalo Rodrigues e Maria Olmedo, muito religiosos. Depois de fazer os estudos primários em sua terra natal, entrou na Companhia de Jesus em Salamanca, e foi mandado para o noviciado em Villagarcia. Foi aí que se apresentou como candidato ao Pe. João Viana, que buscava voluntários para as missões na Ameríndia....
Pe. João era procurador da Província do Paraguai. Como outrora fizera Pe. Inácio de Azevedo , procurava voluntários para o difícil trabalho das missões. Falava aos jovens estudantes das dificuldades e privações por que passavam os missionários, e como deviam estar preparados até mesmo para o martírio. Afonso entusiasmou-se! Quis fazer parte dessa expedição missionária e embarcou com mais 37 companheiros no dia 2 de novembro de 1616; entre eles estava também João de Castilho.
A viagem foi cheia de perigos: uma tempestade quase os fez naufragar; colidiram com outro navio; duas semanas de calmaria (completamente parados em alto-mar, sem ventos a soprar as velas!). Descansaram 15 dias na Baía, Brasil, e reembarcaram, chegando em Buenos Aires em 15 de fevereiro de 1617.
Afonso continuou seus estudos em Córdova, Argentina, onde também era excelente professor de letras humanas. Concluídos os estudos com brilhantismo, foi ordenado sacerdote em fins de 1623 ou início de 1624.
Tinha uma devoção toda especial a Cristo crucificado.
Seu primeiro ministério sacerdotal foi junto aos ferozes índios Guaicurus, por 8 meses. Foi mandado então para a redução de Itapua, fundada anteriormente por Pe. Roque Gonzales, e agora muito próspera.

São João de Castilho

Nasceu em 14 de setembro de 1595, em Belmonte, Espanha, na nobre família de Castilho. Seu pai Afonso, era corregedor da cidade (o que eqüivaleria a prefeito). Sua mãe, Maria Rodrigues, zelava pela sólida formação cristã dos seus 10 filhos. Quatro deles abraçariam a vida religiosa: João, o primogênito, e três filhas, que entraram para a Ordem das Monjas Concepcionistas Franciscanas.
Ainda menino João entrou no colégio dos Jesuítas. Quando acabou os estudos de latinidade, foi enviado pelos pais à Universidade de Alcalá. Entrou no noviciado da Companhia de Jesus em 1614, aos 18 anos de idade. Deixou então a faculdade de direito e foi estudar Filosofia. Foi nesse tempo que por lá passou o Pe. João Viana... Como muitos outros jovens, João ofereceu-se com generosidade, e foi aceito.
Fez a mesma viagem que o jovem Afonso. Ao terminar os seus estudos de filosofia, foi mandado para o Colégio da Conceição do Chile. Gozava de boa saúde física. Nos estudos encontrou algumas dificuldades. Era de temperamento colérico, como Santo Inácio de Loyola, mas ao mesmo tempo dotado de uma gentileza cativante e figura esbelta.
Em 1625 foi ordenado sacerdote. Enquanto lecionava, aprendia a língua guarani, para poder um dia trabalhar entre os índios.
Começou o seu ministério na redução de São Nicolau, onde aprofundou o conhecimento da língua indígena. Ele era afável, bondoso e desprendido, estimado por todos. Venerava a Virgem Maria com grande confiança. Logo conquistou a simpatia de todo o povo da redução.

"Submetia-se, de boa mente, aos sacrifícios que as circunstâncias dele exigiam. Tornou-se carpinteiro, lavrador, enfermeiro. Limitava o descanso ao mais essencial da vida. Tinha que enfrentar certos caciques. A choça, em que morava, era extremamente precária. As paredes eram de taquara. O frio no inverno, por vezes, era tanto que não o deixava dormir. Por comida havia um pouco de milho cozido e farinha de mandioca, o cardápio dos índios. Tinha que enfrentar longas caminhadas, a pé. Vivia uma interminável quaresma, todos os dias do ano. Jejuava muito. Uma pequena refeição à noite era luxo que os missionários se permitiam somente na Páscoa." (Dom Estanislau KREUTZ, Santos Mártires das Missões, p 48)

Não foi por acaso que se tornaram mártires! E não nos esqueçamos que estes são apenas os sofrimentos exteriores. Quais foram as suas provações interiores? Como dizia Santa Teresa de Ávila, "Deus trata duramente os seus amigos", mas "não lhes faz agravo, pois tratou assim a seu próprio Filho".

Em solo gaúcho

Conhecendo já um pouco da vida de todos os nossos três missionários, voltemos agora à narrativa das novas fundações que Pe. Roque vinha realizando junto ao Rio Uruguai, desde 1619.
Por mais de seis anos tentou penetrar em nosso atual Rio Grande do Sul, ou seja, na margem esquerda do Rio Uruguai, e o conseguiu no dia 3 de maio de 1626, festa da invenção da Santa Cruz. Nesse dia celebrou a missa, provavelmente a primeira celebrada nesse Estado do Brasil, e fundou a redução de São Nicolau, que chegou a ter oito mil habitantes no século seguinte. Ali também trabalharia Pe. João de Castilho.
Pe. Roque chamava essas terras de Tupanciretan, que quer dizer "Terra da Mãe de Deus"! Como fazia em todas as novas fundações, levava consigo um quadro de Nossa Senhora da Conceição, a quem confiava e dedicava o êxito desses empreendimentos missionários. Ela era chamada de Conquistadora, pois o milagre de muitas conversões lhe é atribuído. A devoção à Nossa Senhora Conquistadora permanece muito enraizada em toda essa região do cone sul.
Continuando as fundações, foi nomeado superior regional das reduções do Rio Uruguai, que devia visitar periodicamente, supervisionando o trabalho dos jesuítas que lá estavam. Quando Pe. Roque visitou a redução de Itapua, Pe. Afonso pediu para ser enviado a uma missão mais desafiadora. Seu pedido foi aceito, e Pe. Roque levou-o para as missões do Rio Uruguai.
Em 15 de agosto de 1628 fundou a redução de Assunção do Ijuí, e após dois meses e meio de organização e encaminhamento da mesma, colocou-a aos cuidados do Pe. João.

Em 1o.de novembro de 1628, juntamente com o Pe. Afonso, fundou a redução de Caaró. A que ‘santo’ ela foi dedicada?
A redução de Caaró foi dedicada a todos os Santos Mártires, especialmente aos três mártires jesuítas japoneses recém beatificados, Paulo Miki, João de Goto e Diogo Chisai. Como Deus é admirável! Essa região de Caaró hoje é dedicada a outros três mártires jesuítas: ROQUE, AFONSO e JOÃO! Todos os jesuítas e demais missionários daquela época tinham perfeita consciência do perigo em que viviam; a devoção aos santos mártires não é mero acaso, mas elemento natural de sua espiritualidade. Preparados para a morte, viviam privações e sofrimentos constantes. Que pessoas admiráveis! Como têm tanto a nos ensinar! O coração desses Amantes de Deus já intuía o presente que estavam por receber. O Espírito Santo os preparava suave e decisivamente para o grande dia.

O martírio em Caaró

Desde os primeiros dias dos missionários em Caaró, diversos caciques compareceram. Os índios, em troca do compromisso de se reduzirem, recebiam dos missionários cunhas e outros objetos vindos da Europa. As cunhas, machadinhas de ferro, significavam uma grande transformação, pois com elas talhavam suas canoas e preparavam a roça, modificando costumes milenares com a introdução de novas técnicas de subsistência.
Amanhecendo a quarta-feira do dia 15 de novembro, continuavam os índios a afluir, recebendo as cunhas. Após a celebração da missa, enquanto Pe. Roque, inclinado, procedia à preparação do sino que seria instalado em um alto mastro, aproximaram-se os assassinos...Dois deles desferiram violentos golpes com as suas machadinhas de pedra na cabeça de Pe. Roque, que morreu instantaneamente. O mesmo aconteceu com Pe. Afonso, que ouviu os gritos e saiu de sua cabana. Morte instantânea. A seguir, barbáries: vestes arrancadas, corpos esquartejados, destruição da capela e objetos religiosos.

Um velho cacique se opôs aos assassinos, e por isso teve a mesma morte. Sofreu assim o batismo de sangue! Esse mártir guarani pode um dia se juntar aos nossos santos mártires como novo santo da Igreja. Não sabemos seu nome, por isso é chamado de Cacique Adauto.

O martírio em Assunção do Ijuí

De Assunção do Ijuí partira a maquinação do crime: o poderoso e influente cacique Nheçu, que dominava os índios e julgava-se um deus, odiava os missionários e a nova religião. Não suportando as conversões, decretou o extermínio dos missionários.
Chegou a vez do pe. João de Castilho. Dois dias depois, sexta-feira 17 de novembro, investiram contra ele e o arrastaram até o mato. Bofetadas, vestes rasgadas, amarradas as mãos com cordas: arrastado pelo mato, seu corpo virou uma imensa chaga. As testemunhas oculares afirmavam que ele repetia sempre: "Tupanrehê", que quer dizer "Seja por amor de Deus". Agradecia-lhes também o que estavam fazendo e dizia que iria para o céu. Crivado de flechas, golpeado, os índios cansados acabaram por esmagar-lhe a cabeça. No dia seguinte seu corpo foi queimado e destruída sua cabana e objetos sagrados.
Levaram a Nheçu a alva e a casula do padre. Vestindo-se com elas, prometeu prosperidade e o retorno às tradições dos antepassados. Mandou trazer alguns batizados e lavou-lhes a cabeça para retirar a graça batismal.

A reação das reduções

Pe. Romero enviou mensageiros a todas as reduções, pois corriam grande perigo. Resgataram os restos mortais dos missionários e levaram-nos a Concepción, com o pranto de todo o povo. Os guerreiros comandados por Nheçu tentaram atacar outras reduções, mas foram rechaçados. Por fim, com reforços vindos de vários lugares, um verdadeiro exército de 1.200 índios cristãos venceu os mais de 500 índios inimigos.
No dia seguinte ao martírio de Caaró, um fato sobrenatural, atestado por trinta e três caroenses: uma voz saiu do coração de Pe. Roque, quando para lá voltaram os assassinos: anunciava a punição dos criminosos por terem maltratado a imagem da Mãe de Deus, mas do céu os ajudaria (O coração de São Roque é a única relíquia dos corpos dos três mártires que não se perdeu).

Aclamados como mártires

Logo após o fim dos combates foi feita a primeira peregrinação ao local do martírio em Caaró; em Assunção, o bispo determinou uma celebração solene de ação de graças pelo martírio, e o próprio irmão de Pe. Roque, o Cônego Pedro Gonzales, presidiu a missa com grande participação de todo o povo. Todos consideravam os missionários mártires da Igreja, e assim o processo foi iniciado já no ano seguinte, em 1629.
Após um grande movimento por ocasião do terceiro centenário das mortes, o processo foi retomado e culminou com a Beatificação em 1934. Desde então cresceu muito a devoção aos Santos. O coração de São Roque passou a realizar viagens missionárias pelo Paraguai, Argentina e Brasil. Em 1940 percorreu diversos lugares do Rio Grande do Sul, inclusive Caaró, o que se repetiu em 1973, 1978, 1992 e 1998, sempre com grande veneração dos fiéis.

Esperamos que os nomes desses nossos gloriosos mártires possa finalmente ser conhecido e venerado por todo o Brasil, e que dessa vez o coração de São Roque possa passar em peregrinação em todo o país. Que o seus exemplos de missionários, evangelizadores, catequistas extremados, possa suscitar um novo impulso para a ação pastoral de toda a Igreja no Brasil.

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*São Roque Gonzales e companheiros (inicial)
*Saiba porque eles são Verdadeiros santos do Brasil
*Veja onde obter mais informações: Bibliografia, informações e links.
*Conheça também Cacique Adauto

   

Inserida por: Administrador fonte:  santosdobrasil.org
   
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